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Nervoso Miudinho

blog humorístico (esperemos) sobre tudo e mais frequentemente sobre nada

24
Mar17

Viver uma gravidez de risco

nervosomiudinho.blogs.sapo.pt

 

Entendi partilhar a minha experiência, não sou caso único e talvez possa ajudar alguém que esteja a passar pelo mesmo. Risco clínico na gravidez em termos muito simples e muito gerais acontece nos casos em que a mulher tem maior probabilidade de ter (ou já tem) doença que afectam a sua saúde/vida e do embrião, e/ou nos aos em que há maior probabilidade de haver complicações no pré e pós parto englobando um grande número de situações.

 

Infelizmente não sei o que é uma gravidez normal, não tenho termo de comparação quanto a sintomas, emoções e ansiedade. É uma altura de muitas dúvidas, muita ansiedade e muitas interrogações para todas as mulheres, só que no meu caso, razão para medos, razão para alarme, por três vezes vi a gravidez e com ela todas as possibilidades, serem destruídas. O risco de aborto espontâneo é maior do que numa gravidez normal e a ansiedade é mais difícil de gerir. E é preciso desenvolver força e sentido de humor, felizmente para mim já tinha bastante dos dois. Como vos disse nos outros testemunhos não há papel que não diga aborto de repetição. Nem recibo de vencimento que não diga interrupção voluntária da gravidez, o que nem corresponde à verdade. Os relatórios das minhas ecografias actuais têm um item "história obstétrica" que diz: quatro para zero. Estou a levar uma abada, mas preparem-se para a minha vitória triunfal.

 

No meu caso, tenho gravidez de risco porque tive três abortamentos espontâneos no primeiro trimestre, infelizmente dois casos foram hemorragias em semanas muito complicadas de trabalho, o meu trabalho é muito exigente física e mentalmente, durante a gravidez há áreas em que não posso estar.

O teste positivo é um pequeníssimo passo nesta viagem. Engravidar sempre foi fácil para nós, dois mesitos a tentar. Todos os testes pré concepcionais efectuados após os dois abortamentos foram normais. Mesmo assim o consenso médico na altura era fazer protocolo medicamentoso, lovenox, cartia e progeffik todos os dias desde o dia 1 da gravidez. Fiz o protocolo mas mesmo assim na terceira gravidez sofri novo aborto, mas sem hemorragia, descobri na consulta das dez semanas que a evolução tinha parado às nove semanas, tive que ser internada.

O primeiro trimestre tornou-se um obstáculo inexpugnável até esta tentativa. Uma montanha que tive de conquistar. O primeiro trimestre trouxe consultas e ecografias quinzenais no hospital, a medicação que referi, repouso, zero stress, nada de esforços nem pegar em pesos. Trouxe dias compridos, fiquei de baixa com gravidez de risco mal tive o teste positivo, trouxe verificação incessante, talvez a cada hora, dia e noite por hemorragia. Não ter hemorragia não me sossegava, porque podia acontecer como da última vez e ser gravidez não evolutiva. Mas compulsivamente verificava a existência de sangue. Cada espirro, tosse, cólica, cada dor, me fazia tremer de medo. A rotina de primeiro trimestre era acordar tarde, lidar com náuseas e vómitos, insistir para comer saudável, pequena caminhada, fazer meditação guiada com YouTube que acabava na sesta de uma horita, super necessária a todos os níveis.  O primeiro trimestre acabou, estava tudo bem, tinha indicação para parar o progeffik dali a pouco tempo. Respirei de alívio, por duas horas, nesse mesmo dia da consulta senti-me mal, Desmaiei, INEM para o hospital, um susto enorme, horas de angústia, sem consequências de maior a não ser (ainda) mais cuidados, quinze dias com repouso ainda maior. Acabou-se caminhada sozinha, conduzir, banho com supervisão e maior cuidado, porque a reação vaso vagal voltou a acontecer mais vezes, (e em retrospectiva já tinha acontecido no primeiro trimestre)  identifiquei melhor, sentada ou deitada, e não cheguei a desmaiar mais desde Dezembro. 

 

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