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Nervoso Miudinho

blog humorístico (esperemos) sobre tudo e mais frequentemente sobre nada

09
Mar18

prova de fogo da maternidade

nervosomiudinho.blogs.sapo.pt

Passei quinze dias sozinha com o meu filho. Ele teve que fazer uma viagem a trabalho e não foi dois ou três dias, foi mesmo assim uma longa estadia. Custou a todos em termos de saudades.

Quanto a mim? Consegui. 

Como consegui? Foco e organização. E alguma ajuda, claro, a minha mãe mandou-me jantar na maioria das noites, e noutras tinha as minhas refeições congeladas preparadas por mim. O pequeno fez tudo como era habitual, banhos, vitaminas, sestas, tudo sozinha. Até consegui preparar uma celebração para o pequeno, como de costume. Todas as refeições do bebé foram preparadas com antecedência, era só descongelar. Até da casa consegui tratar, máquinas de roupa, de louça, aspirar e tudo. Estou, sem falsas modéstias, muito orgulhosa de mim.  

 

Ao contemplar os dias foram muitas as preocupações, os cenários que fui construindo de forma a poder reagir, se fosse o caso. Demos sempre o banho os dois, e era sempre ele a vesti-lo para eu descansar ou na maior parte das vezes tratar de outra coisa qualquer. Também a tarefa de o adormecer à noite é dele desde que a pequena criatura nasceu, para que me pudesse esticar a descansar. Excepção feita a duas semanas em que numa altura ele via-me e chorava até vir para a minha beira e adormecia comigo, e noutra altura que já mal adormecia, acordava a chorar e só parava comigo, mas isso foram duas semanas, em oito meses. 

Se foi cansativo? Muito. Tiro aqui o meu chapéu às mulheres que fazem tudo sozinhas, por opção ou não, ou que o fazem quer estejam sozinhas ou acompanhadas. 

 Pessoalmente nunca ponderei ter filhos sozinha, mesmo acompanhada como vos disse não era algo indiscutível, dependeria da minha vida e do meu namorado/ marido e do nosso relacionamento. Há muitas situações que nao dependem de mim e se tivesse que o fazer sozinha, claro que o faria. O que não tem remédio, remediado está, tinha um exemplo perfeito a seguir de força e resiliência assim. 

A primeira metade correu sobre rodas, mas de uma forma brutal, uma noite má, e uma mais ou menos, de resto, comeu bem, adormeceu rápido, até sestas de duas horas na caminha dele, no quarto dele fez, várias. Se tivesse sido apenas metade do tempo o meu relato teria outro tom, seria um floreado fácil, sereno e com uma visão simplificada de estar sozinha com ele. 

De uma forma geral até foi mais fácil por em prática as rotinas, acabou por adormecer mais rápido e mais cedo. O que me deu um pressentimento de que o resto não seria assim. Não foi. O universo parece que não pode ver uma mãe a sentir-se bem, ajustada, capaz e serena que manda um abanãozinho. Veio um dia com o nariz mais entupidito, mas lavei com soro e aspirou o que me deixou, até dormiu muito bem nessa noite, até só mamou três vezes o que é um feito por si só. No dia seguinte estava a dormir no caminho e veio com roupa a mais, a sogra teve medo do frio, acabou por estar sub-febril, e eu sempre a ver como estava, não chegou a ter febre felizmente, continuando com as secreções que quase não me deixa tirar. No dia a seguir e depois de andar três dias a engolir secreções, vomitou-as, não quis sopa e só queria mamar o que me deixou preocupada. Acabei por o levar para ser observado, e não foi nada, felizmente. No stress de o vigiar e achar que podia estar doente, e porque chegamos já de madrugada a casa, no dia a seguir acordei eu doente. Aliás nem dormi propriamente, nem no dia anterior porque estava sempre a ver se teria febre. Voltou nesse dia, já bem disposto e mais ele próprio, mas nesse dia só quis mamar e dormir, porque só tinha feito sesta de manhã, portanto desde a sesta da tarde até ao dia seguinte. O oposto da semana anterior, não queria mesmo acordar, e nem que o pousassse, tentei várias vezes e gritava/chorava como se o fose abandonar; portanto eu não jantei, nem pude sequer tomar um anti-inflamatório. Eu já tinha estado mais ou menos doente há uns meses, e já tinha sido difícil, porque ele não percebe e nem tem de perceber isso, ele está primeiro, mas é super, super cansativo e muito mais difícil. Sozinha então, posso dizer-vos que ainda estou a recuperar do cansaço e da doença. Estar os dois é incomparável, então nestas situações de suspeição de doença, outra opinião é fundamental e somos uma equipa, verdade que uma vez que ainda mama e muito é sempre mais cansativo para mim, mas acho mesmo que são precisas duas pessoas para cuidar dele. 

 

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