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Nervoso Miudinho

blog humorístico (esperemos) sobre tudo e mais frequentemente sobre nada

08
Set17

Genius

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Genius é uma série que retrata a vida de Albert Einstein. É a epítome de um génio, não pensamos em génio sem pensar em Einstein e não pensamos em Einstein sem reconhecer o seu génio. Sou consumidora deste tipo de séries, e comecei logo a ver. Sabia alguns factos sobre a sua vida, alguns dos mitos já lhes conhecia a verdade, mas aprendi muito sobre o homem por destrás do génio da física. Foi uma profunda desilusão saber sobre a sua vida amorosa e primeiros passos na ciência e na publicação de artigos. Foi como um soco no estômago. Estou atrasadíssima na série, a última vez que vi estava grávida. Como tantos outros homens, ainda hoje, mas com uma maior expressão há uns anos, tomou todo o crédito por artigos co-escritos pela primeira esposa Mileva. Na minha opinião o pior que podia ter acontecido na vida de Mileva foi Einstein. Era melhor aluna que ele, e tinha aspirações próprias na ciência, e num feito raro, completamente apoiada por seu pai, que sabia o génio que tinha por filha. Engravidou ainda enquanto estudante, e para esconder a gravidez com Einstein fora do casamento, voltou para a sua terra natal. Casou. Nunca acabou o curso, continuando a fazer os artigos com Einstein e cuidando dos restantes filhos, nunca conseguiu libertar-se dos estigmas e grilhões que a sociedade da altura impunha. Grilhões estes convenientemente reforçados pela família do marido e pelo próprio marido, Einstein. Mileva tinha uma deformidade física e desenvolveu problemas mentais, teria uma propensão é certo, mas ilustraram bem os dilemas de uma mulher com tanto potencial que se confinou à vida doméstica.  Einstein deu a desculpa mais ridícula, não coloco o teu nome nos artigos, porque toda a gente sabe que também és responsável, não é preciso. A série faz o paralelo importantíssimo com o casal Curie, Pierre, um homem da ciência e correcto, íntegro não aceitou o nobel que lhe queriam dar individualmente porque a mulher tinha contribuído, até mais do que ele nas palavras próprias. Portanto era (e é) inteiramente possível ser cientista, pessoa íntegra, génio e marido. Marie Slodowska Curie é a única pessoa com dois prémios Nobel, em dois campos da ciência distintos. Imaginem o que perdemos da mente de Mileva. Não sei se foi por falta de tempo se foi a desilusão que me levaram a deixar a série em pausa. Ainda estou chateada pela perda de potencial de Mileva, sinto a dor como se fosse com alguém que me é próximo. Quantas Milevas houve/há por aí? Nunca mais olharei para Einstein da mesma forma, não é menos génio por isso, mas é uma bela porcaria duma pessoa. 

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25
Ago17

desmontar argumentos tipificados

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Há coisas mais importantes.

 

Não o há sempre? A não ser que se fale de vida e morte, ou necessidades básicas, não há sempre coisas mais importantes? Que raio de argumento. Prioridades,são isso mesmo, prioridades, não implicam que nos foquemos apenas num aspecto da vida. As prioridades são uma coisa curiosa. São uma construção socio-cultural e como tal variam, além de que são uma construção pessoal, variam em todos nós, daí que ache estranho que alguém ache que as suas prioridades têm de ser as do mundo. Se eu defender a vida de golfinhos, quer dizer que condeno a morte de elefantes? Se eu me associar a causa de sem abrigos, sou contra os direitos dos animais?  A mais comum, se eu defender os animais quer dizer que não me importo com as pessoas?

 

O argumento das coisas importantes é muito perigoso. Porquê? Porque é muito versátil. Nos EUA, no fim da escravatura, podiam os negros não ter direito a voto, porque afinal há coisas mais importantes e até nem eram escravos. O mesmo para o direito ao voto nas mulheres. Não havia coisas mais importantes? Como literalmente o saneamento básico, e as doenças. 

 

Por esta linha de pensamento não se subsidiava artes nem desporto. Porque afinal há pessoas abaixo do limiar da pobreza e vai haver sempre. Não havia programa espacial, espectáculos, hobbies, férias. Um sem número de tecnologia que nos facilita a vida e nos entretém desapareceria, porque afinal há coisas mais importantes. 

 

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13
Abr17

Guilty pleasures

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Notícia do público life style acerca da opção de não ser mãe. Estou a seguir os comentários. Mal vi a notícia apostei que viria com certeza uma mãe a dizer que estavam a perder a melhor sensação do mundo. E que não queria ter mas depois teve e é o melhor do mundo. Uma pena não acertar assim no euro milhões. Há mães que a partir do parto só falam em clichés, não há uma única frase que saia da boca que não seja um cliché, nem se devem permitir ser cândidas. Porque há destas mães com esta mentalidade de culto, a tentarem justificar as suas opções de vida e tentar forçar toda a gente a fazer o mesmo? O mesmo sapato não serve a toda a gente. Do que vejo tenho mais pena das crianças que têm mães que nunca o quiseram do que o contrário. A sociedade continua a tentar formatar padrões. Quem quer tem filhos e quem não quer não tem. Parece-me simples. Não sei o suficiente sobre pessoas aleatórias para as tentar convencer a um compromisso sério de uma vida inteira só porque eu gostei muito ou até estou a aproveitar a ocasião para me convencer a mim também que estou a gostar muito. 

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15
Mar17

No país da indignação momentânea de sofá e impunidade a longo prazo

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Se devo 1000 euros ao estado, tenho de pagar, penhoras salário, divulgam nomes. Se devo 10000000 euros não pago, não sofro consequências e ninguém sabe quem sou. 

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02
Nov16

Contracepção masculina

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Devido aos efeitos adversos a contracepção masculina que estava em ensaios foi abandonada. Não me interpretem mal, o risco- benefício deve ser bem ponderado em todos os casos. Mas é curioso que os efeitos adversos que acabaram de se provar nefastos e demasiado pesados não chegam a metade dos efeitos adversos da pílula que as mulheres usam há décadas. Muitas mulheres deixam de tomar precisamente por causa deles. Mas este ensaio parou porque não é admissível para homens que a contracepção inclua alterações de humor, e libido, mas os mesmos sejam aceitáveis acrescidos de dezenas de outros, para mulheres, há décadas. Façam o exercício de ler a bula e a lista infindável de efeitos adversos que lá consta.

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25
Jan16

Cavaco ainda é presidente

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Últimas acções como presidente, veta adopção por casais homossexuais e alterações à lei da IVG. Não faz quase nada, ao ponto de se achar que está em coma e quando faz é triste figura. Quanto às subvenções vitalícias, não me espantam. Tudo em Portugal é vitalício. Por isto esta pobre desculpa de político foi eleito para tudo o que concorreu, por isso temos pseudo celebridades forjadas em reality shows, por isso a política e a sociedade estão nas ruas da amargura.

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03
Nov15

Vamos lá ter calma

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Vamos lá ter calma com o andor. Podemos ter mais calma por favor e não cair no exagero. Dá-me logo o nervoso miudinho.Há quinze dias que as lojas estão cheias de decorações natalícias. Só me apetece praguejar. Ora, faltavam mais de dois meses para o Natal! Caramba, depois queixam-se de falta de espírito. AinDa mal começou novembro e já não posso ver coisas à minha frente. Quando se chega a dia 15 de dezembro já se vomita luzinhas e musiquinhas. A partir de dia 1 de dezembro chegava perfeitamente e ainda sobrava.

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28
Out15

É tudo muito bonito

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Fala-se de refugiados, que vão masé para a terrinha deles, de crianças com fome, e os pais é que têm culpa, de guerra, e cada país está por si, de falta de acesso a comida, medicamentos, água, mas o rsi tem que acabar, vão masé trabalhar. De países em desenvolvimento com carências, com taxas altíssimas de morte na infância, isso são problemas deles. Fala-se da IVG e não faltam ajudas, e subsídios e opções e coitadinhas mas mulheres porque a consulta obrigatória é muito necessária e é para as proteger e explicar que tudo se resolve. Agora fazer Ivg é que não porque a vida é sagrada. Pois.

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12
Out15

a mudança começa com todos nós

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Vocês que são mães. Não digam às vossas filhas que se um rapaz pequeno lhe bateu é porque gosta dela. Não coloquem este pensamento nas cabecinhas delas. 

leiam isto

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06
Out15

Ainda das eleições

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Começo por um disclaimerzinho. Não vou insultar ninguém, nem mesmo quem tem suspeitas de violência doméstica, nunca trabalhou, se licenciou tarde e na privada, e começou logo a gerir empresas duvidosas. Nem os de esquerda, nem os de direita, nem quem fez um do li ta para votar.

Voto há muitos anos, e votei sempre. Loucura das loucuras, não trato os partidos como clubes de futebol.

É que vendo bem os clubes de futebol não me afectam o salário, a minha carreira, os meus impostos, e a minha dignidade para viver. E não gasto dinheiro nem com a política e com o futebol gasto muito pouco. O que isto quer dizer é que dificilmente terei votado duas vezes igual. Nem me lembro bem, só com muito esforço. Porque o meu voto é influenciado pelo estado do país, o cargo que vou eleger, o programa político, e as pessoas, talvez este último o mais importante. E porque muitas vezes voto no mal menor ou por quem não quero lá. Desta vez não queria lá ninguém, nem queria sair do euro, nem queria mais privatização, nem voltar a salvar bancos, nem esconder défices, nem mascarar taxa de desemprego, nem dar poder a quem mente e é apanhado em contradições graves em apenas quatro anos. Quem diz que o pec 4 é excessivo e que a carga fiscal é adequada e depois em quatro anos a agrava três ou quatro vezes.

Não queria mais submarinos, tecnoformas, freeport, bpn, bes e afins. 

 

A minha humilde análise é:

  • Nos últimos quatro anos fizeram-se mais greves de que eu tenho memória de haver noutro período. Na minha opinião mostra o descontentamento. 
  • Quase metade da população não foi votar. A abstenção foi assombrosa. Os motivos são vários, e desconhecimento de que em Portugal nem os votos em branco nem a abstenção fazem diferença. Para muitos a abstenção pretendia mostrar descontentamento e falta de opção válida para governar. Indiferença e ignorância em geral. E muitos, emigrados, deslocados, pessoas com informação desactualizada. Estes motivos são especulação minha, e em todo o caso, não podem ser apurados com certeza. A verdade é que as pessoas não foram. 
  • O PSD teve o segundo pior resultado desde o 25 de abril.
  • Dos 56% que foram votar, 36,8% das pessoas votaram na coligação. Menos de dois milhões de portugueses.
  • Dos 56% dos portugueses que foram votar, 32,4% votaram no PS. Apenas menos 4%,  200 e tal mil que na coligação que traduzem em mais de dez deputados.  
  • Mais de metade das pessoas que foram votar não querem que este governo continue no poder.
  • Ainda assim a maior probabilidade é que apenas dois milhões de portugueses vão permitir que este governo tome decisões por DEZ milhões de portugueses.

 

Mais chocante que isso, o pdr, partido de marinho e pinto não elegeu ninguém e recebe 170 mil euros por ano. 

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