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Nervoso Miudinho

blog humorístico (esperemos) sobre tudo e mais frequentemente sobre nada

30
Dez16

Uma espécie de balanço

nervosomiudinho.blogs.sapo.pt

Somos criaturas de hábito e de padrão. Gostamos de arrumar as coisas. E arrumamos o tempo em anos. Já me insurgi por aqui sobre isto. O que faz um ano mau? Um acontecimento muito mau? Problemas de saúde? De dinheiro? Insucesso na realização de objectivos? Bom, o meu ano foi o mais esquisito da minha vida. Teve momentos verdadeiramente dolorosos e outros que o pareceram mas que de momento estão resolvidos. Teve momentos muito felizes. Comecei o ano nas nuvens, com boas notícias. No fim de Fevereiro tive o maior soco no estômago da minha vida relacionado com a saúde. Comecei Março no bloco operatório, dilatação e curetagem,  a perda que me pesou exponencialmente com o peso das duas perdas anteriores, passei o pior aniversário da minha vida. Chorei o dia todo, quanto mais me ligavam a dar parabéns mais eu chorava. Não festejei, não abri bolo, quis desaparecer como nunca. Seguiu-se cirurgia oncológica no núcleo duro, em casa. Cansaço da minha mãe, justificado e que me custa ver, problemas musculares que daí advém e as hérnias e coisas a darem trabalho. Mais um mês de exames para mim, de fisioterapia porque vários males não vêm só. Fomos escapar cá dentro, e percebi que há dias muito bons em períodos muito maus. Mais um teste ao nosso relacionamento que nos tornou ainda mais próximos, quando achava que estavamos o mais próximo possível. Tenho muita, muita sorte. No início de Maio fui voltando à vida, os amigos foram uma parte importante no processo, no ano, na minha vida. Fomos a Berlim, e fez maravilhas por cada um de nós, por nós enquanto casal e pelas amizades. Em Junho voltei à vida completamente, exames normais, o que é bom, mas não é um alívio, como vos fui dizendo por aqui. Sem uma doença não há um tratamento, há um protocolo, que faz uma diferença estatística de 2-3% no resultado. O trabalho continuou condicionado. Boas notícias em termos de reconhecimento externo, porque o interno como vos disse é inexistente vá-se lá saber porquê. Novos projectos. Nova cirurgia no núcleo duro, lá em casa. Novo esforço hercúleo da minha mãe. Novo diagnóstico, margem da cirurgia oncológica positiva, e tratamento, radiação e mais esforço de multiplicação da minha mãe que trabalha 45 horas (na verdade 50) e acompanha, trata, dá força a todos, e não se queixa. Tem uma força, resiliência, atitude sem exemplo, nunca vi semelhante, desde sempre, a vida tirou-lhe a mãe aos vinte, e não pôde parar para respirar desde então. Reconhecimento dos vizinhos, que gabam a mim e ao meu irmão, que lá estamos sempre, a levar e trazer de tratamentos,  o meu irmão saiu incólume do ano, mas dois períodos de férias dele foram completamente sacrificados a cuidar. Pelo meio o susto com a otite da minha cadela, que me levou ao veterinário 17 vezes em mês e meio, novo susto quando ela fugiu e andei horas desesperada atras dela e a gaja acha que estamos a brincar e ainda corre, pelos vistos ainda sprinto, mudo de velocidade e aguento vários minutos disto. O ano acaba com uma amizade nova caída do céu, ou do santo padroeiro sapo, que eu nunca pensei possível, que nem sei se mereço. Passei por vários momentos de isolamento, a bem da minha sanidade mental, precisei de me afastar para me encontrar e para lidar com tudo, confesso que conviver com grávidas e bebés foi muito difícil durante algum tempo. Acabo o ano com muitas boas notícias, apesar da ida à urgência que me tirou o chão e me provocou um susto monumental. Estou com uma sensação de alívio, com esperança, positiva em relação a tudo. Aceitei tudo o que se passou, não me vitimizo nem dramatizo, mas que foi muito, isso foi, espero melhor sempre. Estou grata por ter conseguido lidar com tudo, pela minha família, pelos meus amigos, por tudo o que tenho de bom que não sofreu. Que hoje seja melhor que ontem, e amanhã melhor do que hoje. 

 

 

Ps editei o texto porque não sei como até me esqueci dos sustos com a minha cadela, bem como o isolamento que precisei para processar os acontecimentos. 

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